A propósito de extrema direita portuguesa, achei interessantíssima a análise do Jansenista. Não deixa de ser um exercício curioso estabelecer um paralelismo entre a crítica político ideológica subjacente ao texto e as manifestações dos Rad Trads portugueses.
Uns e outros partilham os mesmos ideários, as mesmas referências ideológicas e até estéticas, os mesmos referentes simbólicos e os mesmo vícios.
A ler os vários posts - de paupérrimo gosto e duvidosa qualidade literária - dos blogs rad trads , além tom panfletário e adolescente dos textos, uma mistura de slogans de campanha de AEs do secundário, com textos doutrinários sem qualquer contextualização ou enquadramento crítico, comungo o pasmo do Jansenista. O que mais me impressiona é a adolescente falta de ambição cultural e de fibra moral. Os itálicos são meus. Passo a citar:
"1) a veneração de todos os «losers» que a nossa sociedade ( a Igreja) foi produzindo nos últimos 50 anos, os bons e os maus, os românticos sonhadores mas também os pseudo-marginais e os pseudo-literatos;
2) o afunilamento dos ideais estéticos ( doutrinários e teológicos ) às exíguas produções de uma certa clique pseudo-clandestina;
3) a cumplicidade com todo o tipo de profanações idiotas do nosso adquirido civilizacional ( doutrinário e teológico);
4) o completo desprezo pela realidade e pelas restrições que ela impõe à racionalidade do discurso e da conduta;
5) o estranho convívio do passadismo com a quase total ignorância das referências do passado;
6) a atordoante litania de frases e ideias feitas e estafadas, sem um assomo de crítica ou uma intenção evolutiva;
7) o espírito de facção e de matilha, os cambados e ventripotentes mandarins a aliciarem jovens crédulos com promessas de promoções sem significado;
8) a total incongruência da denúncia da partidocracia , verdadeiramente caricata quando provinda de partidos ( grupos) minúsculos que se afadigam a imitar os partidocratas nos seus mais notórios e detestáveis tiques."